segunda-feira, 30 de abril de 2012

"Você conhece a Zara?"


A Vogue trouxe uma matéria super legal sobre essa gigaaante rede de fast fashion e então resolvi postar e falar um pouco dela aqui, vamos entender como funciona!
A rede espanhola Zara contabiliza nada menos que 5.500 lojas no mundo, produz numa velocidade impressionante – depois de desenhadas pela equipe de estilo, suas peças chegam às araras num prazo de apenas duas semanas – e já foi até tema de estudos seríssimos em Harvard. 

Há 13 anos no Brasil, a superpotência do fast fashion abriu pela primeira vez as portas de sua sede, em Arteixo (uma área industrial de La Coruña, na Galícia) a um grupo de jornalistas do País. Seus planos de expansão são ambiciosos: a primeira loja da Zara Home em São Paulo está prontíssima e só aguarda a inauguração do Shopping JK. A empresa espera que a linha de décor seja tão bem-sucedida quanto a de moda, que hoje conta com 32 endereços brasileiros.

Fundada há 37 anos por Amancio Ortega (o quinto homem mais rico do mundo no ranking da Forbes de 2012), a marca transformou La Coruña numa espécie de “Zara City” – a empresa atrai gente do mundo todo e só o staff da sede tem direito a passaportes de 33 nacionalidades. 

O nome da rede, que não quer dizer nada, foi escolhido de maneira inusitada por Ortega; quando decidiu abrir sua primeira loja, no centro de Coruña, ele quis batizá-la de Zorba, mas descobriu que havia um bar homônimo na cidade. Para aproveitar o letreiro já encomendado, buscou, então, alguma variação sonora da palavra – e daí surgiu Zara. 

A marca revolucionou o varejo com seu modelo de vendas bem distante do tradicional. “Não trabalhamos com estoque nem coleção pré-definida. É o feedback constante das lojas que define a produção das peças. As tendências que vão bem em vendas prosseguem nas araras”, explicou Jesús Echevarría, diretor global de relações institucionais do grupo de Ortega, o Inditex, que hoje detém a Zara e outras sete marcas, como a Massimo Dutti e a ótima Uterqüe, a mais jovem de todas, só de acessórios.

Num espaço de 24 mil metros quadrados, completamente clean, 260 estilistas trabalham em ritmo frenético para que todas as lojas recebam novidades duas vezes por semana – uma dica: no Shopping Iguatemi, o abastecimento acontece às quartas e sextas. Na sede, tudo é milimetricamente estudado: há vitrines de mentirinha, que são cuidadosamente montadas e devem ser copiadas pelas Zaras mundo afora, e até uma loja completíssima, onde nada é vendido – a intenção é apenas mostrar aos funcionários como as peças deverão ser expostas para os clientes nos espaços “reais”.

O time que cuida das coleções do hemisfério sul tem 40 integrantes e é capitaneado pela estilista Susana Caamaño, uma galega com jeitão de Tilda Swinton, que viaja três vezes por ano para o Brasil. É no país, aliás, que a Zara testa atualmente as novidades que serão implantadas, depois, em toda a região – um papel semelhante ao da Inglaterra, com seu público trendsetter, no hemisfério norte. “No Brasil, ao contrário de muitos países, fazem sucesso as estampas que misturam diversas cores, não só duas ou três. E vocês detestam todas as variações de marrom”, disse Susana. Apesar de adorar uma novidade, a estilista contou que as brasileiras não se renderam aos tons pastel, febre neste verão europeu. “Fizemos um teste em fevereiro e as vendas não foram boas no Brasil. Por isso, agora não vamos investir muito na tendência”, adiantou. 

 
Nos galpões da fábrica da Zara Woman, a jaquetinha vermelha, atual hit da primavera europeia, é onipresente
O ponto alto que achei surpreendente foi a impressionante visita a uma das onze fábricas que a marca mantém em Arteixo, área industrial de La Coruña, e ao seu principal centro de logística na região. Nos dois, milhares de peças que costumam fazer ótimo hi-lo caminham sozinhas em cabides suspensos, num processo totalmente automatizado, como se estivessem… voando.
Os números também surpreendem: ao contrário de boa parte das concorrentes do high street, a Zara concentra sua produção na Europa (cerca de 65% do total) e não na China ou na Índia. Os principais polos ficam em Portugal, Espanha, Turquia, Romênia e Bulgária – do outro lado do Atlântico, o Brasil é o maior deles e complementa o abastecimento da rede no cone sul. Para conseguir acompanhar as tendências em ritmo frenético, sem depender de fornecedores têxteis, a empresa faz compras gigantescas de tecidos brancos, que são estampados ou tingidos de acordo com cores e prints em alta a cada temporada.
No centro de logística, roupas voam para araras de lojas específicas - cada barra é um endereço da Zara no mundo. De lá, chegam em 24 horas nos endereços da Europa e em dois dias nos das Américas
Em La Coruña, a produção é tão informatizada que quase não se vê gente circulando pelos galpões. São máquinas que cortam tecidos sem parar, que depois são levados para confecções próximas e costurados de acordo com moldes estabelecidos pela equipe de estilo.
As peças já saem das fábricas passadas e com etiquetas e alarmes
De volta às fábricas, as peças, já prontas, recebem etiquetas com preços e alarmes, são passadas a ferro por um time de operárias e, depois, penduradas em cabides – exatamente como chegarão às lojas do mundo inteiro. São milhares (milhares mesmo!) de unidades idênticas de cada modelo, como a jaquetinha vermelha com bordados pretos a la Chanel, onipresente nos galpões da linha Woman e que já desponta como hit na primavera europeia, ao preço de 69,95 euros.
Da fábrica, a peça caminha sozinha, pendurada em seu cabide, até o centro de logística. Quando chega por lá, vai direto para araras de lojas específicas, tudo de forma automática – sim, até a do Shopping Iguatemi tem seu espaço pré-determinado. Depois disso, aterrissam em 24 horas às Zaras da Europa por via terrestre e em cerca de dois às Américas, por avião. Isso é que é fast fashion. 
Na fábrica de La Coruña, peças que irão para as lojas na América do Sul; na linha de produção, tudo é informatizado e quase não se vê gente trabalhando
Fonte: Vogue