sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

"Diário de couture 3: os tesouros do último dia da temporada de alta costura"

Bruno Astuto acompanhou a temporada de alta-costura verão 2012 diretamente de Paris, assistindo aos desfiles mais exclusivos do planeta. Aqui no site, ele já contou tudo sobre o dia 1, com destaque para Chanel e Versace, e sobre o dia 2, quando a Armani e a Givenchy mostraram suas criações.
Nada melhor que terminar esta temporada primavera/verão 2012 de alta costura com dois desfiles magníficos, que não pretenderam reinventar a roda, apenas aperfeiçoá-la: Elie Saab e Valentino mostraram a opulência, a técnica imbatível e a riqueza do minucioso trabalho de seus ateliês com coleções belíssimas. Ambos abrirão lojas no Brasil em setembro – Elie não confirma, mas a equipe de Valentino já solta fogos com a estreia no Cidade Jardim, em São Paulo, de uma pop-up store antes da primavera 2012 e a flagship definitiva em março de 2013.


O libanês ateve-se ao que sabe fazer de melhor: looks que irão direto para os tapetes vermelhos de todo o mundo. A cartela de cores parte do prata e mergulha no nude e no pastel, reproduzindo praticamente todo o arco-íris. Todos os modelos invariavelmente caíram de boca no brilho, nos bordados e rebordados sobre transparências – com forro, lei islâmica oblige. Os looks pareciam leves como papel e só mudavam de acordo com a profundeza dos decotes.

E Pier Paolo e Maria Grazia, os estilistas da Valentino, deixaram de lado as pesadas princesas russas da última coleção em prol de uma versão 2012 da rainha Maria Antonieta em sua fase mais campestre de Petit Trianon. Para tanto, mergulharam fundo no excepcional trabalho com as rendas, nas flores pintadas à mão nas enormes saias dos vestidos e, por que não, nos bordados mais ricos e preciosos que Paris viu nesta temporada – porque Antoinette adorava também uma festa. Meu coração disparou com os loafers em renda branca usados com os vestidões, o que deu um ar ainda mais doce para essa coleção não recomendada a diabéticos.


A primeira fila poderosa refletiu a agenda do embaixador internacional da marca, o brasileiro Cacá de Souza: de Cameron Diaz, simpaticíssima e falante, à atriz Clotilde Coireau, que é princesa por conta do casamento com o príncipe Emmanuele Filiberto di Savoia, herdeiro do trono italiano caso monarquia a Itália ainda fosse. Não faltaram tampouco princesas do mundo fashion, entre as quais Bianca Brandolini, Delfina Delettrez-Fendi e Rachelle Regini, filha de Maria Grazia, a próxima it-girl que bombará mundo afora, anotem.

Entre esses dois desfiles, almocei no indefectível L’Avenue com Georgina Brandolini antes de conferirmos as novidades da multimarcas Montaigne Market, na mesma Avenue Montaigne. No quesito acessórios, as bolsas de Valentino seguem imbatíveis, assim como as joias de Aurélie Bierderman inspiradas no Brasil, as orelhinhas de gatinho da Maison Michel e muitos brincos de pena. Nas araras, reinam Alaïa, Balmain e Stella McCartney. Depois segui para os headquarters da Vuitton para conferir a coleção de alta joalheria assinada por Lorenz Bäumer.

Como a grife abrirá em julho sua primeira loja dedicada aos diamantes na Place Vendôme – uma operação caríssima, pois o empresário Bernard Arnault conseguiu tirar a Cartier da esquina da Rue de la Paix -, Lorenz decidiu se inspirar nos monumentos parisienses.
Assim, via-se um colar que reproduzia uma das fontes da praça, outro que trazia o Arco do Triunfo em diamantes baguette e spinelle, outro que lembrava o Jardin des Tuileries, com uma esmeralda de tirar o fôlego. Em outra sala, um bracelete de malachita (minha pedra preferida) com ouro e uma coleção mais acessível de aneizinhos e colarezinhos leves, que vão custar 150 euros cada, “para usar na praia”, avisou a PR.

Menção honrosa para Jean Paul Gaultier, que homenageou postumamente Amy Winehouse em seu desfile, trazendo as manecas com o penteado sixities da cantora. O que poderia ser trash ficou bem chique, pois Gaultier sabe como ninguém traduzir o nec plus ultra do chique parisiense em jaquetas bem cortadas, corsets de couro sobre vestidões de organza. Amy teria adorado ou cuspido em tudo? Fica a cargo da nossa imaginação…
A couture não é feita de tendências, mas, como ela serve de laboratório de ideias para os designers mais-mais do planeta, detectei alguns caminhos para onde deve seguir a moda neste 2012:
- Transparências
- Brilho – os bordados estavam riquíssimos e flamejantes de cegar os olhos
- Chiqueria punk – como visto na Givenchy e na Chanel
- O croco substitui o python
- Rendas (ainda)
- Looks monocromáticos – azuis de Chanel, verdes de Armani e brancos de Valentino

Fonte: Vogue