“Baby, come quick! It’s chaotic here.” É assim — “Amor, vem logo! Está um caos aqui” — que um típico mauricinho inglês descreve, ansioso, ao telefone para a namorada do outro lado da linha, o clima da liquidação da Alexander McQueen, que começou nesta quarta-feira (30.11) e termina no sábado (2.12) em Londres. Nem a greve geral dos servidores públicos que parou as ruas do centro da cidade na gelada tarde londrina afastou os mcqueeníacos.

A fila do lado de fora do Westminster Room dava volta no quarteirão – e isso não é força de expressão. Depois de duas horas de portas abertas, ainda havia mais de 100 pessoas à espera da sua vez de pagar uma libra (a renda arrecadada, avisa um cartaz na entrada, vai para instituições envolvidas na luta conta o câncer de mama) para mergulhar na atlantis de descontos.

Lá dentro, a disputa é acirrada. Principalmente por acessórios. Sapatos? Que nada. São os lenços (que custam entre 140 e 250 libras – entre R$ 404 e R$ 720. Na loja, o preço médio é 350 libras – mais de R$ 1 mil) o objeto de desejo. O clássico de caveirinhas é disputado a bolsadas. Quem ganha são as japonesas, adoradoras da marca que, com seus minicorpos entram facilmente nos microcorsets da coleção Plato Atlantis (verão 2010), aquela inspirada no fundo do mar, e deslizam seus bracinhos pelas ultra-apertadas mangas dos vestidos da coleção Bizantine Art and Old Masters (inverno 2011), a última feita por Alexander McQueen.

Nomes e datas de temporada estão na ponta da língua das compradoras orientais, que conhecem as roupas com familiaridade espantosa e sabem, de cabeça, todas as descrições básicas das peças. E ai de você se simplemente encostar em uma das roupas selecionadas pelas consumidoras vorazes. “Não, não. É meu, é meu!.” “Calma, moça, encostei sem querer. Eu nem entro nesse corset!”, respondi num tom que misturava a culpa por não ter visto antes o tal corset com a noção de que ele não seria páreo para minhas curvas latinas.

Não que as inglesas não tenham marcado território. Todas querem um pedaço da marca que vestiu Kate Middleton, seu ícone de estilo máximo, no seu casamento. Mas elas nem chegam perto das bolsas. As várias versões (tem de couro de jacaré, pelo de coelho), entre 400 e 800 libras (ou R$ 1150 e R$ 2300) fazem mais sucesso com as russas, que se encantam pelas de formas piramidais. Enquanto isso, em minoria, as pobres inglesas ficam ali no meio, se espremendo por uma blusinha ou uma calça da marca que custam entre 200 e 300 libras (entre R$ 578 e R$ 865).

Fonte: Vogue