sexta-feira, 25 de novembro de 2011

"O que é Haute Couture?"

A Alta-Costura (Haute-Couture) é feita para sonhar! Sendo um mundo exclusivo para poucos privilegiados. Em 1946, existiam 106 Maisons de Haute-Couture. Em 2003, reduziu para apenas 16. Nessa temporada do inverno 2012, se apresentaram apenas onze casas (as mais famosas são Christian Dior, Giorgio Armani Privé, Chanel, Givenchy, Elie Saab, Jean Paul Gaultier e Valentino).

Alta-Costura, é uma marca registrada, podendo ser usada somente por estilistas que integram o Chambre Syndicale de la Haute Couture, criado em 1968, presidido por Didier Grumbach. O termo “Alta-Costura” é protegido legalmente. Quem o utiliza de forma incorreta pode sofrer um processo.

Não é fácil de integrar nesse universo restrito, para isso, existe algumas normas e regras, tais como: o criador necessita ser “indicado” por estilistas que já integram o grupo, ter um ateliê em Paris, onde irá produzir inteiramente sua coleção, respeitando todas as regras impostas pelo Sindicato (como um número mínimo de funcionários e de criações a cada desfile) e esperar um período de cinco anos para ter seu nome oficializado como “criador de Alta-Costura”. Além disso, cada casa de criação é avaliada anualmente pelo Presidente de Honra do Chambre Syndicale, Jacques Mouclier. Quem não estiver de acordo, é "convidada" a sair.

Estrangeiros

A maioria das grifes de Alta-Costura é francesa, mas estrangeiros também participam. Valentino foi a primeira – não francesa – a integrar o fechadíssimo clube, em 1989, trazendo sua elegante e clássica coleção de vestidos italianos para as passarelas de Paris. Depois dele, Giorgio Armani (também italiano) e Elie Saab (libanês) foram os próximos.

As francesas Chanel e Dior tiveram ‘estrangeiros’ como diretores criativos, como alemão Karl Lagerfeld na Chanel, desde 1983 e o inglês John Galliano da Christian Dior, onde ficou por 14 anos, sendo despedido depois do mega escândalo das acusações de racismo e de ser antissemista em fevereiro de 2011.

Até o momento, não foi revelado o nome de seu sucessor. Em janeiro de 2011, Gustavo Lins foi o primeiro brasileiro a integrar este exclusivo universo. Ao seu lado, Christophe Josse, Franck Sorbier, Maurizio Galante e Stéphane Rolland.


Restrito

Pensar em Haute-Couture é falar para um universo paralelo. Afinal, quantas mulheres podem comprar anualmente vestidos de U$ 20 mil a U$ 100 mil, ternos de U$ 16 mil ou casacos de U$ 50 mil? Só para se ter uma idéia: em 1947, havia 15 mil clientes que consumiam Alta-Costura, hoje, há dois mil, mas somente 200 compram regularmente.

Detalhe: 60% são americanas e o restante, princesas árabes. Dizem que, graças a crise financeira, as americanas perderam seu posto. Mas continuaram a consumir – só que se hospedavam em hotéis, onde os representantes das Maison levam as peças, são compradas,m as tudo de forma anônima… Quase em segredo!


Arte

Peças de Alta-Costura são produzidas em dois ou três únicos modelos. São obras de arte, confeccionadas à mão nas Maison. Embora moda não seja considerada arte, essess vestidos são frágeis e delicados, feitos por uma única pessoa – extremamente qualificada para isto – que gasta em média de 170 a 175 horas, são peças extremamente pensadas e com materiais únicos. São profissionais meticulosos, com muita paciência, pois sabem que, no caso, de não ficarem perfeitos, os modelos são desmanchados e refeitos.

Estas profissionais precisam ser “apaixonadas” pelo que faz, pois, segundo a chefe de costureiras de Chanel: “nesta profissão, quem não for apaixonado pelo o que faz, não realiza coisas belas”.


Sabendo desta exclusividade, as milionárias americanas compram peças, usam por um curto período e doam para Museus, que costumam organizar anualmente exposições temáticas. Graças a estas poucas privilegiadas… Mortais podem ter acesso a estas obras de arte: pelo menos, vendo – sem tocar, é lógico!


Resumindo: Alta-Costura é feita somente em Paris e pelas regras do Chambre Syndicale de la Haute Couture. Em nenhum lugar do mundo e muito menos nos Jardins, Cambuí, Nova Campinas ou na Rua José Paulino, o que é feito é Alta Costura. É roupa sob medida.

Por mais que exista alguma exclusividade ou qualidade do produto, continua sendo ‘roupa sob medida’. Nem que o tecido usado para a confecção da peça seja importado, o resultado é ‘roupa sob medida’. Se você não possui um título concedido pela Chambre Syndicale de la Haute Couture, não use o título de alta costura!