segunda-feira, 17 de outubro de 2011

"PARIS Verão 2012: Pedro Lourenço"

Dá para medir o crescente sucesso de Pedro Lourenço na moda internacional pela frequência cada vez maior e mais influente em seus desfiles aqui em Paris. Dessa vez, Vogue, W, New York Times, Style.com, Vogue.com, Washington Post e Vogue Italia foram apenas alguns dos veículos que encheram a primeira fila de sua apresentação. Ah, e isso sem contar na presença do estilista Olivier Theysken, ex-Rochas, ex-Nina Ricci e agora fazendo uma pequena revolução na Theory.

Tudo bem que aí entra o poderoso trabalho de PR da assessoria KCD (uma das mais poderosas da moda global), mas seu talento também tem grande contribuição nisso tudo. Com um foco e dedicação imensos, Pedro vem mostrando, coleção após coleção, não só um grande apuro técnico (e em constante evolução), como também pontos de vista bastante relevantes para o atual cenário criativo.

Dessa vez, foi mergulhando fundo numa pesquisa e exploração têxtil que Pedro arrancou elogios e admiração de sua plateia. O desfile aconteceu na manhã desta quarta-feira, numa galeria iluminada por luz natural, na Rue Du Fabourg Saint-Honoré. E sob as batidas dançantes da trilha, o jovem estilista colocou na passarela uma coleção que, diferente do inverno 2011, mostrou-se bem mais focada na parte conceitual, em algo quase como um futurismo tribal (mas bem de leve na parte tribal). Isso devido à mistura incrível de tecidos naturais com outros tecnológicos e de aparência sintética – vide os metalizados, as franjas, os canutilhos coloridos.

Tudo trabalhado sob uma silhueta extremamente gráfica, levemente alongada, num estilo já muito próprio do estilista. Todo esse decorativismo (tendência forte já há algumas temporadas) aparece aqui como algo funcional, com zíperes em jaquetas de couro estruturadas, de golas e ombros marcados, escondendo ou revelando tecidos brilhantes ou de aparência plastificada. Os sapatos, assinados por Alexandre Birman, também vêm nesse clima rústico-futurista – com solado de pequenos rolos de madeira e amarração com corda.

E embora na passarela a imagem (poderosa) possa parecer pesada no quesito conceito, é só dar uma olhada com mais atenção para perceber que, na verdade, quase tudo ali encontra seu caminho para um guarda-roupa. É assim no look de calça prateada com top preto todo geométrico, nos blazeres de cortes angulares, nas blusas levemente transparentes e nos vestidos com recortes em diferentes tecidos.

Mas o que chama atenção – e faz desta uma boa coleção – é justamente esse trabalho quase que digital, meio que num remix-colagem de tecidos e referências. Característica superatual e sintomática de nossa atualidade. Sem contar no modo como Pedro vem alterando o modo como a indústria da moda internacional via e entendia a moda feita no Brasil.

Fonte: Criativa