terça-feira, 31 de maio de 2011

"Semana de moda do Rio"

A Semana de moda do Rio começou e tiveram as apresentações de Andrea Marques, Oestudio, Nica Kessler, New Order, Espaço Fashion, R. Groove, Redley, Coca-Cola Clothing, TNG, Printing, Totem, Têca, Walter Rodrigues, British Colony, Giulia Borges, Coven, Maria Bonita Extra, Acquastudio, Patachou, Melk Z-DA, Filhas de Gaia, Alessa, Rio Moda Hype, Fashion Fantasy, Ausländer, Lucas Nascimento e Cantão. Selecionei algumas marcas e dessas marcas alguns looks, que achei mais interessante em aspectos de modelagem, tema e tecidos.

"Lucas Nascimento"

Desde que estreou no Fashion Rio, na temporada de inverno 2010, Lucas Nascimento vem chamando a atenção por seu primoroso trabalho com malharia e apurado senso estético. Mas, se a fama é recente, o talento é antigo. Lucas já desenvolveu tricôs para grandes nomes da moda nacional – como Neon e Ellus – e internacional – como Basso & Brooke e Giles Deacon. No terceiro desfile de sua carreira, o estilista mostra que vem evoluindo na técnica. Para o inverno 2011 ele transita entre formas estruturadas e leves, surpreendendo com os efeitos de transparência e os recortes nas peças. A cartela, que começou suave, ganhou tons de camelo, marinho, verde escuro e preto.




"Coca-Cola Clothing"

A passarela em forma de asfalto, com cactos falsos e geométricos incrementando o cenário, indicava o tom da coleção: a Coca-Cola Clothing, marca que pertence ao grupo AMC Têxtil, mesmo da Colcci e Foum, pegou a Route 66 para voltar ao Fashion Rio. No entanto, na estrada da marca, não há surpresas. Começando pelo tema, uma viagem pelo deserto da Califórnia. Durante os desfiles da última temporada internacional, as editoras Cathy Horyn, do New York Times, e Suzy Menkes, do International Herald Tribune, fizeram uma reflexão sobre o olhar da moda direcionado para o Oeste americano, mais especificamente o estilo de vida californiano nos anos 1970. Na passarela da Coca-Cola apareceram jeans manchados, em formas de jaqueta e coletes, bem melhores que os texturizados com desenhos de arabescos, como no tomara-que-caia justinho; peças de crochê, em looks de efeito extrasensual; vestidos justíssimos, curtos e decotados, alguns com estampa de nuvens. A marca poderia ter investido mais nas peças verde-militar e nas de efeito metalizado, como a skinny desfilada por Bruna Tenório.



"R. Groove"

Única marca totalmente masculina do line-up do Fashion Rio, a carioca R. Groove não teve medo de transpor as barreiras do calor do Rio de Janeiro em seu inverno 2011. A marca mergulhou sem medo nos tecidos pesados, nas sobreposições e nos tons sóbrios. E se deu bem. O desfile começou misturando tons de cinza (uma das cores mais vistas até agora na temporada) e preto e tecidos como lã, moletom e nylon. Quando a cartela se abre para os marrons e verdes é que fica mais claro o espírito da coleção: um passeio, bem trajado, pela montanha. Ótimos os maxicachecóis, que podem aparecer sob o cinto, uma boa ideia de styling para eles, e as jaquetas com estampa étnica típica da tribo Navajos, que já apareceu na passarela de outra marca carioca, a British Colony.



"Walter Rodrigues"

Além do Fashion Rion, a temporada de moda carioca conta com mais dois outros eventos, o Rio-à-Porter e o Fashion Business, cujo alicerce é o lado comercial da indústria. Seguindo essa proposta, muitas coleções apresentadas tinham um único foco: as vendas. Porém, nesta quinta-feira, 13 de janeiro, um dos carros-chefes do line-up da Fashion Rio, Walter Rodrigues, provou que roupa usável e vendável não precisa, necessariamente, ser insossa e pouco criativa. O desfile, realizado no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (cenário das gravações da novela Anos Dourados, em 1986), veio com toda a elegância clean que o novo minimalismo oferece. Preto e off-white intercalaram-se ou fizeram par na dualidade artesanal (blusas de tricô) versus tecnológico (casaco de musseline cortado a laser). Refinados maxivestidos ganharam um toque urbano com zíperes extensos, que iam de alto a baixo nos troncos e quadris. As calças vieram mais soltas e curtas, usadas com sandálias e meia – tendência que parece seguir forte.



"Filhas de Gaia"

Depois de um verão cheio de flores e tons suaves, Renata Salles e Marcela Calmon deixaram a feminilidade de lado parar entrar em contato com o rico universo masculino, de onde tiraram coletes, calças pregueadas com a barra encurtada, paletós e camisas. Mas as estilistas foram ainda mais longe e colocaram na passarela gravatas usadas como colares, bengalas e meias sociais, que podem funcionar para as moderninhas que aderiram à recente onda das soquetes com sandália. O resultado são peças andróginas na medida, que podem não agradar a todas as mulheres. Para as mais femininas, há alternativas: saias e vestidos longos com fendas e tops com transparência, todos acompanhados por oxfords com salto, uma boa simbiose entre o masculino e feminino, que é exatamente o tom do inverno 2011 da marca.



"Cantão"

A Cantão levou seu desfile para o Parque Lage, no Jardim Botânico. Desfile que, na verdade, parecia mais uma festa onde as cores – vibrantes, joviais e alegres – eram as convidadas especiais. Macacões com seus respingos de tinta pareciam ter saído fresquinhos do ateliê onde artistas pincelaram a barra dos vestidos (maxi e mini) com laranja, azul, rosa, vermelho, roxo… Uma farra onde tudo é permitido. Assim como a mistura de estampas. Grafismos de efeito abstrato e geométrico acompanharam xadrezes multicoloridos, microflores Liberty e o preto e branco do pied-de-coq. O jeans não foi bem-vindo nessa folia, que cedeu seu convite para tecidos de inverno, como lã e veludo. Nos pés, galochas folgadas tal qual corturnos desamarrados que seriam úteis até mesmo nesse verão de chuvas intermináveis.


Saem os brancos lavados e os tons fluo do último verão e entram cores e misturas bem mais maduras e atuais. Pense em nude + dourado, cinza + cru + bege, cinza + prata e cinza + dourado – a última, um ótimo exemplo de combinação chic e inusitada. Das formas superarredondadas que tinham os vestidos – especialidade da marca – da estação passada, sobraram alguns contornos orgânicos em mangas e estruturas, essas também bem mais interessantes e usáveis. A estilista Esther Bauman arriscou ao calçar as modelos com sapatos masculinos (criados em parceria com Fernando Pires) e conseguiu um resultado pouco óbvio e em sintonia com o momento, que foge do estereótipo de desfiles de marcas focadas em moda festa. Mais um ponto vai para a edição do desfile: um bom mix de peças se desenrolam de forma clara e natural no desfile, e aqui vale lembrar de novo que a Acquastudio é focada em vestidos de festa, ou seja, tem um universo limitado de criação. Os looks texturizados devem agradar as clientes antenadas (o efeito foi visto em várias marcas que desfilaram no primeiro dia desse Fashion Rio), um exemplo é o vestido usado por Fabiana Mayer para abrir o desfile, que tinha a superfície metalizada e partes em tule bordado com canutilhos.


"Coven"

A Coven, é referência nacional quando o assunto é tricô, que antes coadjuvante nas coleções, tem se consagrado como uma das técnicas mais sofisticadas e evoluídas da moda brasileira. Construções que imitam jeans e neoprene, mas na verdade, são feitas de tricô, são algumas das propostas já apresentadas pela marca mineira em outras estações. No inverno 2011, o grande efeito é o tweed, imortalizado por Coco Chanel, que aparece, não por acaso, em jaquetas ao estilo das clássicas feitas pela maison. Mas isso não quer dizer que o inverno da marca comandada por Liliane Rebehy, que é proprietária e estilista, seja tradicional. A referência grunge é forte na coleção: o xadrez aparece em saias, calças, vestidos – alguns comportados, outros, os melhores, nem tanto – e aplicados em jeans, no comprimento e na barra. Tudo é muito pesado, os pontos são grossos e os fios tramados. Algumas peças parecem funcionar melhor no frio de países do hemisfério norte do que no inverno brasileiro. Mas, talvez, a exportação seja justamente o foco da grife no momento.


"TNG"


Encerrando o terceiro dia do Fashion Rio, a TNG trouxe para a passarela referências dos anos 1950 e os globais Mayana Moura e Reynaldo Gianecchini. O foco foi o jeans, constante nas apresentações da marca, e também um dos símbolos da década que inspirou a coleção. O denim apareceu nas datadas calças tipo boyfriend para elas e nas retas com a barra dobrada para eles, além de em coletes, saias e shorts femininos, todos curtinhos e com lavagem acinzentada. Mas está na alfaiataria o melhor do desfile, principalmente no look estilo college (no final da apresentação) e no paletó com a parte interna dos braços aberta desfilado por Alicia Kuczman. O styling, que contou com meias sociais e sapatos tipo oxford, deve garantir o lugar da TNG em listas de tendências, já que várias marcas têm apostado nos calçados masculinos neste inverno 2011.


Fonte: Abril