quarta-feira, 20 de abril de 2011

"Design de Moda feat. Design Gráfico"


Uma das ferramentas que garante a renovação e o andamento do processo criativo da moda em si é sua capacidade de interface com diversas outras formas de expressão. Há tempos a moda deixou de ser percebida apenas enquanto confecção de roupas e acessórios, e ganhou status de linguagem totalmente inserida nos processos sociais. Com isso o diálogo com a arte, fotografia, e outras formas de criação de imagens, ciências sociais e processos tecnológicos geraram interações que até hoje renovam suas formas praticamente a cada estação. Um dos interlocutores mais freqüentes tem sido o design gráfico.

Tudo começou com a criação de estampas e a programação visual mais caprichada dos catálogos. A editora alemã Die Gestalten Verlag (dvg), fundada em 1995 em Berlim, tem no seu catálogo uma série de títulos que podem comprovar o sucesso desta parceria: “Romantik”, “The Great Escape” e “Wonderland” são alguns dos chamados livros de inspiração, que promovem o intercâmbio entre novos talentos das áreas de moda, design gráfico e fotografia, gerando imagens cada vez mais orgânicas e incentivando outras perspectivas do processo criativo. A revista editada pelos estudantes da faculdade de moda da Antuérpia, a +1, também nasceu com esta proposta e analisando sua programação visual percebemos uma preocupação em mostrar diversos aspectos da criatividade para produção de imagens, em ação.

Mas não é só na Europa, e nem só nas revistas e livros, que a tendência tem mostrado sua força. As grandes marcas esportivas, Nike, Adidas e Puma já são grandes conhecedoras deste diálogo e cada vez mais contam com a contribuição de designers gráficos para suas novas linhas. A Eastpak, marca americana de mochilas e acessórios, acabou de chegar ao Brasil e também já movimenta o cenário através de suas ações em conjunto com artistas urbanos e designers. Na moda propriamente dita, as camisetas foram literalmente a plataforma de embarque: serviram de suporte para estampas que hoje em dia têm status de peças de colecionadores.
O trabalho com a criação de imagens permite explorar diferentes fontes de inspiração, uma das principais razões do fascínio que esta área exerce, e a moda sabe explorar como ninguém estas possibilidades. Talvez por isso, os questionamentos acerca de sua natureza: arte? Futilidade? Indústria? Linguagem social? Cada um tem a sua interpretação, mas o que importa é que cada vez mais novos aspectos vêm sendo abordados e enriquecem a discussão.

Por: Sérgio